Secretária de Saúde é presa durante investigação sobre a terceirização das UPAs de Palmas
A Polícia Civil divulgou o cartaz de procurado da empresária Claúdia Fernanda Cândido da Silva. Ela teria atuado no contrato de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas e tem ordem de prisão preventiva expedido pela Justiça. Nesta quarta-feira (10), a secretária de Saúde do município (Semus) foi presa.
O superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, também foi preso. Os mandados estão relacionados à Operação Falsa Emergência, da Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor).
De acordo com a investigação, novos elementos obtidos após a deflagração da operação, no dia 21 de maio, indicam a continuidade de práticas com o objetivo de ocultar provas, interferir nas investigações e alinhar versões entre os envolvidos.
Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsAppCláudia teria atuado como lobista. Ela é apontada como articuladora dos interesses da organização social e uma das principais operadoras do esquema. A defesa dela afirmou que não teve acesso aos autos, mas a empresária está viajando e vai retornar para se apresentar à polícia.
O advogado de Andreis Vicente afirmou que solicitou acesso aos autos do inquérito e vai se posicionar ao longo do dia. A defesa da secretária informou que ainda não teve acesso a todo o material e não tem condições de se manifestar sobre o mérito neste momento. “Temos a convicção de que a prisão é desproporcional e desnecessária, e isso será levado oportunamente ao Judiciário”, disse o advogado Maurício Haeffner.
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria Geral do Município, informou que acompanha o caso e aguarda o acesso às informações oficiais dos autos para se manifestar.
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Divulgação/PCTO
Entenda a investigação
A investigação da Polícia Civil sobre a terceirizaçãodas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas envolve indícios de direcionamento da contratação, produção de documentos com datas suspeitas e possível falsidade ideológica dentro do processo administrativo.
Nesta terça-feira (9), o Ministério Público do Tocantins pediu a anulação do contrato. Provas colhidas pela Polícia Civil e apresentadas à Justiça pelo MPTO indicam que a contratação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba ocorreu em “reuniões a portas fechadas”.
Os documentos correram secretamente até mesmo dentro da Semus, e servidores da pasta foram pressionados a assinar pareceres favoráveis sem terem acesso ao processo administrativo e ao plano de trabalho.
O resultado, segundo o MPTO, teria sido um trâmite direcionado à contratação da Santa Casa, que evitou a publicidade dos atos, a fiscalização externa e a participação de outros interessados.
Secretária Dhieine Caminski; e o superintendente Andreis Vicente da Costa
Reprodução/Prefeitura de Palmas
Veículo de luxo entregue a servidor público
O Ministério Público indicou que a representante da Santa Casa alugou um carro de luxo (BMW/X1 S20I M SPORT, ano fab/mod 2025/2026) um dia antes da assinatura da Justificativa de Dispensa de Chamamento Público, documento que dispensou procedimento licitatório. O veículo supostamente foi entregue ao superintendente da Semus, responsável por montar o processo de contratação.
A BMW era utilizada constantemente pelo superintendente. O veículo foi locado a um custo global de R$ 228.576,00 por dois anos, equivalente a R$ 9.524,00/mês.
A empresária que teria alugado o carro, segundo o MPTO, é ré em um processo judicial de improbidade administrativa, por outros ilícitos na área da saúde pública. Ela responde pelo desvio de R$ 1 milhão em contratos relacionados ao fornecimento de testes rápidos da Covid-19, em 2020.
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Fonte: G1 Tocantins
