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Home»Entretenimento»Luiza Brina: compositora mineira ganhou atenção internacional com disco de ‘orações não religiosas’
Entretenimento

Luiza Brina: compositora mineira ganhou atenção internacional com disco de ‘orações não religiosas’

janeiro 22, 2025Nenhum comentário0 Visitas

‘Prece’, álbum da cantora de MPB, foi considerado um dos melhores do ano pela APCA e até pela NPR, uma das principais rádios americanas. Os artistas destaque para 2025
Com uma série de “orações não religiosas” e arranjos de orquestras, uma artista mineira chamou a atenção não só da crítica brasileira, como de americanos. O mérito é todo de Luiza Brina.
A cantora, compositora, produtora e arranjadora tem 36 anos é de Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela tem 4 álbuns em carreira solo e já colaborou com artistas como Ana Frango Elétrico, Fernanda Takai e Tuyo. Mas como é comum para artistas da MPB, o reconhecimento não veio do dia para a noite – “é um trabalho de formiguinha”, descreve ao g1.
Lento, mas meticuloso, o trabalho de formiguinha acaba compensando. E foi o “Prece”, disco de 2024, que deu a Luiza Brina a oportunidade de realizar alguns sonhos.
Nesta semana, o g1 faz uma série especial de apostas musicais para 2025. Do rap ao forró, conheça artistas que devem se destacar.
Luiza Brina
Silas H
A ‘cantautora’
Neta de pianistas por parte de mãe e parte de pai, Luiza conta que a música nunca saiu de casa ou da cabeça dela – e por isso, se tornou seu caminho natural.
Ela é formada em Composição na universidade e se entende como “cantautora”. Além de compor letra e música, é ela quem pensa os arranjos até para os outros instrumentistas. E apesar de toda a educação formal, ela vê a carreira como uma escola maior que o diploma.
“Para o bem e para o mal, o curso é muito voltado para música ocidental europeia erudita, então é um curso que ele nem o curso nem compreende a canção como uma como composição. Isso é um absurdo. A canção popular não é compreendida dentro do curso… esse não era um tipo de composição válida, pelo menos na minha época”.
Então, ela diz que sua trajetória foi moldada mais por suas experimentações – sempre produzindo, criando, até nos momentos mais bizarros. Na pandemia, por exemplo, Luiza não tinha acesso ao estúdio… então, recorreu ao seu carro, um Fiat Uno.
“Eu estava sem estrutura, estava em um lugar que não podia muito fazer um isolamento. E aí, eu percebi que dentro do carro rolava um isolamento legal. Eu fechava tudo, levava microfone, placa de som… e ficava gravando coisas lá dentro”, conta. Hoje, ela apelida carinhosamente o seu home studio (agora sim, em sua casa) de “Uninho Studio”.
Luiza Brina
Daniela Paoliello
Ataque de pânico virou oração
Um episódio marcou a vida e a carreira de Luiza: um ataque de pânico quando ela morava no Rio de Janeiro, há uns 14 anos. “Não conseguia sair de casa, parecia que o mundo ia desabar. Uma coisa física mesmo”, descreve.
A artista, que não tem criação religiosa, se sentiu pouco equipada para lidar com aquela sensação. Como você pede socorro quando não acredita em nada? Para alguém como Luiza, o misticismo da música foi o que a salvou.
“Eu comecei a compor essas canções ‘orações’. Como um pedido, como uma tentativa de saída. E aí, com o tempo fui entendendo que é porque a música ocupa esse lugar assim na minha vida. É o que me faz acreditar na vida”.
A primeira “Oração”, com esse nome, veio no álbum “Tão Tá” (2017). Por algum tempo, essa e as próximas vieram “com o caráter dessa busca assim por uma crença, por uma saída”, diz. Mas para Luiza, as orações acabaram se tornando uma forma de linguagem – e quando assustou, ela estava desenvolvendo uma “prece” inteira.
O álbum que foi além
Lançado em 2024, “Prece” é um álbum meditativo, composto de várias orações “não religiosas”. O álbum desenha essas contemplações com instrumentação robusta, incluindo clarinetes, oboés, flautas, violinos, trompetes e trombones – em uma orquestra composta apenas por mulheres. E segundo a artista, é o álbum que ela sempre quis fazer.
‘Prece’, de Luiza Brina, considerado um dos maiores discos de 2024
Reprodução
“[Uma amiga] um dia me perguntou assim, qual é o disco dos seus sonhos? E aí eu descrevi o ‘Prece’: um disco onde eu reúno minhas orações. Eu tinha o sonho também de gravar com uma orquestra, acho que teria uma orquestra de mulheres – porque eu também estudei composição, estudei orquestração e é muito difícil no Brasil você ter acesso a uma orquestra. De mulheres, então…”.
O sonho incluía a produção de Charles Tixier (que já colaborou com nomes de Liniker a Tim Bernardes), e foi realizado com louvor. “Prece” foi lançado pela Natura Musical e conta com participação até da mexicana Silvana Estrada, vencedora do Grammy Latino de “Artista Revelação” em 2022. Quem apresentou as duas foi o músico Helado Negro, que chegou a indicar um dos discos de Luiza para ser lançado por um selo americano.
Desde seu primeiro disco, “A Toada Vem É Pelo Vento”, Luiza é querida por críticos e fãs. Mas foi o “Prece” que a deu um destaque especial (e promissor) em sua carreira. O álbum foi considerado um dos melhores de 2024 em várias listas nacionais, incluindo da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), e rendeu várias indicações à cantora no Woman’s Music Event. Em entrevista ao portal australiano The Music, a premiada artista de jazz Esperanza Spalding fez questão de citar o disco como “maravilhoso”.
Além disso, “Prece” apareceu na lista da NPR, uma das principais rádios dos Estados Unidos, como um dos 50 melhores discos do ano. “Este é um álbum maravilhoso de orações seculares que realmente captura o que está acontecendo na música brasileira atualmente”, diz o texto.
Em 2025, Luiza segue com os shows do “Prece”, cuidadosamente montados. Ela vê o momento com otimismo, mas cautela. “A gente não sabe o que que vai acontecer. O que eu sabia é que eu estava fazendo o disco dos meus sonhos”, ela enaltece. “E que presente da vida”.

Fonte: G1 Entretenimento

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